segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Entrevista: professor Fernando Capovilla

É com muito prazer que publico a entrevista que fiz com o professor Fernando César Capovilla, do Instituto de Psicologia da USP. Ele se formou psicólogo em 1982 e mestre em Psicologia da Aprendizagem e do Desenvolvimento pela Universidade de Brasília em 1984. É Ph. D. em Psicologia Experimental pela Temple University of Philadelphia (1989), e livre docente em Neuropsicologia pelo Departamento de Psicologia Clínica da Universidade de São Paulo (2000).
Admiro o professor Capovilla por várias razões, mas talvez o que mais sintetize a minha opinião sobre ele seja o seguinte: quando penso em um bom psicólogo, penso nele. Quando penso em um bom profissional, em alguém que tenho orgulho de apresentar como colega de profissão, em alguém que faz da psicologia um instrumento de ajuda real, penso nele. Admiro sua valorização da pesquisa, principalmente como forma de saber se o que se está fazendo tem resultado (talvez os que não façam tenham medo dos possíveis resultados!), sua inteligência, e sua capacidade de tornar a psicologia algo científico e prático ao mesmo tempo, mostrando que não se pode separar a ajuda a pessoas da base da ciência. Isso não significa que eu concorde com todos os seus pontos de vista; o respeito ao outro inclui permitir a livre expressão. De qualquer forma, se algumas de suas idéias principais fizessem parte da psicologia do Brasil hoje, com certeza teríamos uma profissão mais eficaz e mais digna de respeito.

CientificaMente - O que é psicologia?
Capovilla - É o estudo do comportamento e da mente das pessoas e de tudo daquilo que os afetam e para os quais se orientam teleologicamente. É o estudo do efeito de fatores genéticos e ambientais (físicos, sociais e culturais – em especial lingüísticos) sobre o comportamento e a cognição das pessoas e, ao mesmo tempo, das estratégias comportamentais e cognitivas (nos vários níveis, desde o idiossincrático pessoal ao nomotético via sistemas culturais e linguísticos) de que elas se valem na tentativa de atingir seus objetivos em diversos planos, desde a perspectiva natural (envolvendo o sobreviver, o desenvolver-se, o prosperar, o expandir-se, o perpetuar-se) passando a metafísica (envolvendo o fazer sentido da vida, o atribuir – ou perceber – o significado da existência e o propósito da vida) até atingir a sobrenatural (envolvendo maneiras de conceber a eternidade, a natureza e o destino da alma, o depois da morte, o além). A Psicologia não é apenas o estudo da Mente e da Alma, mas, especialmente de como a Mente e a Alma se contemplam a si mesmas e aos seus enigmas, como interpretam a si próprias e se constroem ao assumir riscos e tomar decisões, como lidam com a frustração e a dor de seus limites e fracassos e perdas e finitude e perspectiva de sua morte à medida que passam por perdas, adoecimento, enfraquecimento, isolamento, envelhecimento. É por isso que, enquanto a psicologia com “p” minúsculo se limita ao estudo de comportamento e cognição e das contingências que os afetam; a Psicologia com “P” maiúsculo se dá na esfera da metapsicologia. Muitos professores da psicologia (aquela com “p”) passam a vida tratando fenômenos como objetos isolados da experiência, e o fazem de modo enfadonhamente frio, descritivo, asséptico e estéril. Após trancar a Alma em tubos de ensaio, chegam à conclusão de que ela é incapaz de voar. Ao contrário, Professores da Psicologia, necessariamente atentos à Metapsicologia, convidam seus estudantes a assumir o risco de romper a redoma, de contagiar-se com a experiência, de tratar o fenômeno como objeto vivo da própria experiência. Atrevem-se a quebrar a redoma que prendia a Alma e assistem entusiasmados à embevecida surpresa nos olhos de seus estudantes quando constatam que ela é capaz, sim, de voar. Aulas de psicologia tendem a isolar o objeto da experiência, como se fora ameba presa num tubo de ensaio e então, de modo frio e enfadonho, passam a arrolar e descrever seus limites. Ao contrário, aulas de Psicologia libertam o objeto da experiência da redoma permitindo que contamine os presentes e lhes devolva, ampliada, a sua perspectiva íntima do que é ser humano, fazendo-os ver, como Sêneca, que nada humano lhes é estranho. É por isso que as aulas de psicologia atêm-se ao nível do descritivo enquanto as de Psicologia atingem o nível do performático.
A Psicologia é tão ampla que pode ser usada para compreender questões de planejamento cultural e assessorar o aperfeiçoamento de políticas públicas em educação e saúde.
É o estudo da estratégia que a cultura usa para representar informações. Por exemplo, é muito difícil fazer cálculo logarítmico com algarismos romanos. Mao Tsé-Tung, em sua revolução cultural, fez uma revolução fônica, jogando boa parte dos caracteres chineses fora e preservando aqueles que tinham o mesmo som. Não contente com isso, ele inventou um alfabeto. Os norte-americanos, agora, estão mudando os sistemas de medida britânicos para o dos enciclopedistas franceses, o sistema métrico-decimal, porque é muito mais inteligente. Permite-nos fazer operações com muito mais facilidade. A psicologia tem um interesse em estudar o comportamento e a cognição humanas para resolver problemas de ajustamento, de desenvolvimento, de recuperação, de reabilitação, devidos à privação cultural, lesão cerebral, dificuldades das mais variadas. O trabalho do psicólogo é fascinante porque une o mundo das ciências biológicas com o das ciências humanas. Ou seja, leva em consideração variáveis tanto de natureza biológica, genética, constitucional, quanto variáveis de natureza cultural.

CientificaMente - E conta com os instrumentos das exatas....
Capovilla – Sim, precisamente, com os instrumentos das exatas. Porque a Psicologia, enquanto ciência, deve fazer uso de toda a metodologia experimental e estatística para lançar luz sobre os fenômenos que ela estuda e para minorar problemas de gente que sofre. “Pathos”, de patologia, é paixão e sofrimento, é padecer. Isso envolve um escopo amplo de situações. De todas as profissões, a Psicologia uma das mais lindas e ambiciosas, mas também é aquela em que se encontra o maior número de charlatões. Porque não há como, facilmente, avaliar a qualidade do profissional, dado o escopo tão ambicioso de atuação do psicólogo.

CientificaMente – Quando alguém te pergunta o que você faz, o que você é, qual a sua resposta?
Capovilla - A minha resposta é: sou professor e pesquisador. Porque estou interessado na nova geração de pesquisadores, clínicos, educadores para que consertem os problemas causados pelas gerações antigas. Tenho interesse também em pesquisa científica, para que ela (a pesquisa) possa educar as minhas crenças, e me permitir descobrir aquilo que não sei. Isso me permitirá aprender a formar as novas gerações de modo mais conseqüente, realista, útil e inspirador. Isso com honestidade e integridade, pois não se pode ensinar aquilo que não sabe. Ou melhor, não se deve tentar ensinar aquilo que não sabe. A pesquisa é uma atividade fascinante porque nos permite descobrir o que não se sabe, de modo a poupar frustrações e a magnificar os benefícios dos esforços . Por isso sou professor e pesquisador.

CientificaMente – O que você acha que é um bom psicólogo?
Capovilla - Um bom psicólogo é aquele que conhece, de maneira suficiente, em escopo e profundidade, os fenômenos com os quais ele lida. O mau psicólogo é aquele que se põe a opinar sobre aquilo que não sabe. O bom psicólogo é aquele que se dispõe a aprender com a natureza, a descobrir, fazendo uso de pesquisa científica teoricamente inspirada, socialmente relevante e impactante, e calibrada pelos resultados obtidos a partir de rigorosos recursos de controle experimental e estatístico. A psicologia experimental e a estatística estão aí para nos auxiliar e corrigir nossas concepções acerca da natureza. Um bom psicólogo atina ao sofrimento produzido pelo descaso ou pela incompetência dos demais e busca fazer pesquisa inspirada para testar o que ninguém mais testou e descobrir soluções criativas por meio de programas de pesquisa experimental e estatística arrojados e ousados. O bom psicólogo é um idealista generoso, um trabalhador incansável, um teórico inspirado, um estudioso voraz, um clínico sinceramente compadecido, um educador disposto a ser educado pelo educando e pela evidência da pesquisa científica. Tais atributos constituem talvez quase um décimo daqueles necessários para que aquele quem os possui possa ser considerado um bom psicólogo.

CientificaMente – O que distingue um psicólogo de uma pessoa de bom senso?
Capovilla – Para começar, pessoas de bom senso têm bom senso; psicólogos, nem sempre. Brincadeiras à parte, o psicólogo está muito melhor equipado que uma pessoa apenas de bom senso para enfrentar e resolver problemas de desenvolvimento de competências cognitivas e lingüísticas e sociais e emocionais essenciais ao sucesso escolar e profissional e familiar e social. Tais problemas podem ser de natureza comportamental e cognitiva, como o fracasso escolar, por exemplo. Ou de ajustamento pessoal, de desenvolvimento, de linguagem. O psicólogo conta com um arsenal de técnicas e procedimentos de avaliação para triagem e diagnóstico diferencial, bem como de intervenção para resolução de problemas em termos de prevenção e tratamento. A avaliação não é só para saber como está o paciente. Serve também para saber se o tratamento funciona, para comparar a eficácia diferencial de tratamentos, e para descobrir quais os melhores parâmetros de cada tratamento para cada quadro. Avaliação e intervenção intimamente ligadas à luz de modelos teóricos claros, práticos e precisos. A Psicologia permite ao pesquisador e ao profissional controlar as variáveis relevantes para o comportamento e a cognição humana, .unindo o melhor dos dois mundos, o da Medicina e o da Sociologia. Toda essa ambição, porém, deve ser acompanhada não apenas de inspiração à altura como, também, de abundante transpiração no trabalho árduo da pesquisa. Do contrário, a amplidão de escopo da Psicologia pode fazer com que nela se refugiem hordas de picaretas que mais prejudicam que ajudam, tão prontos a assumir ares de pretensa sabedoria quanto resistentes em se dar ao trabalho de pesquisar ou mesmo de ler boas fontes no assunto sobre o qual opinam. Alfabetização infantil, educação de surdos, e outras áreas têm sido tão notoriamente carentes de pesquisa quanto de bom senso. Aliás, a pesquisa e o bom senso costumam andar juntos. É muito difícil encontrar bom senso na ausência de pesquisa. Entre os profissionais antigos e tarimbados pela prática de ter as mãos na massa durante anos a fio, isso até pode acontecer vez por outra. Entre recém formados e universitários, quase nunca. A pesquisa educa o senso e o juízo. Ela disciplina o pensar. Na ausência dela, os devaneios atingem as raias do alucinatório. Se o psicólogo não conduzir pesquisa científica nesses campos, que tenha ao menos a decência de se abster de opinar. Do contrário, diferentemente da pessoa de bom senso que tende a ser parte da solução, o psicólogo continuará constituindo incômodo agravante do problema.

CientificaMente – Você pode dar um exemplo de situação em que o psicólogo está mais do lado do problema do que da solução?
Capovilla – As áreas de alfabetização infantil e fracasso escolar são ótimos exemplos dessa catástrofe para a psicologia brasileira e, pior, para a nação brasileira. A Psicologia brasileira falhou completamente em auxiliar a Pedagogia a descobrir e sanar os crassos erros de teoria e metodologia na área. Por isso, contribuiu de modo vergonhoso para que o fracasso escolar endêmico brasileiro se constituísse num quadro de natureza pedagogênica, um produto nefasto da incompetência das escolas em alfabetizar competentemente. Na virada do século XXI, quando o Inep descobriu que 94% da população descolar de quarta série vinha fracassando em atingir os níveis mínimos de competências estabelecidos pelo próprio MEC, os diversos diretores do Inep seguidos pelos diversos Ministros da Educação passaram a admitir candidamente que os professores alfabetizadores não mais sabem alfabetizar e que as Faculdades de Educação não mais sabem ensinar a alfabetizar. Em todo o mundo, foi a Psicologia, mais precisamente a Psicologia Experimental Cognitiva (como previa Piaget) que auxiliou a Pedagogia a recuperar a rota do sucesso. No Brasil, no entanto, durante o último quarto de século, a Psicologia brasileira esteve muito longe de fazer isso. Nesse período ela fez algo muito pior do que simplesmente se omitir. Ela não só falhou em empreender avaliação do alunado brasileiro como, também, desencorajou essa avaliação, posicionando-se do lado do establishment que descarrilou a educação soterrando o destino de milhões de brasileiros. Ao seguir Ferreiro, traiu a proposta de pesquisa de Piaget como, também, seu dever de jamais substituir pesquisa científica por especulações. Qua sera tamem, ainda que tarde, a exemplo do que fez a Psicologia do mundo civilizado desde meados de 1990, a Psicologia brasileira deve cumprir seu papel de colocar a Pedagogia brasileira nos eixos por meio da pesquisa científica, sob pena de crime doloso lesa Pátria e lesa Humanidade.

CientificaMente – No que você acha que a psicologia deveria se focar?
Capovilla – Os atributos do Estado são Educação e Saúde. A Psicologia está na interface entre as biológicas e as humanas. Portanto, problemas de educação e saúde constituem o escopo da psicologia. O psicólogo deve se dedicar a resolver problemas relevantes da educação e da saúde. Especialmente o psicólogo que trabalha em sistema público, seja federal, estadual ou municipal. Todos reclamam da má qualidade do serviço público, dos péssimos serviços de Educação e Saúde oferecidos pelo Estado. O que poucos se lembram é que nós, das universidades públicas, estamos do lado de cá do balcão do governo. Somos nós os funcionários públicos mantidos pelo erário, pelo suor do trabalhador, por uma das mais pesadas cargas tributárias do planeta sobre as costas de uma nação de contribuintes. E o que temos a oferecer de concreto em termos de produtos de Educação e Saúde para atender às fortes e sofridas demandas da população? Devemos ter esta questão como a pulga atrás de nossas orelhas quando escolhemos um tema de pesquisa científica para nossos alunos de treino de pesquisa, de iniciação científica, de mestrado, de doutorado, de pós-doutorado. Curiosidade científica não é motivo justificável, não é motivo aceitável para fazer pesquisa em universidade pública. Quer fazer pesquisa para resolver sus curiosidade? Ótimo! Então que o faça usando seu próprio dinheiro. Dinheiro público é para resolver problemas da população que paga (e muito caro) pelo nosso tempo e trabalho. Então que dediquemos nosso tempo e trabalho à população. Nosso tempo e trabalho são muito dispendiosos para a população. Que eles, pelo menos, valham à pena para essa população. Que tenhamos responsabilidade na escolha de nossos temas de pesquisa. Dentre as inúmeras áreas de interesse nacional e forte angústia para nossa nação está a busca de solução dos problemas de fracasso escolar no Brasil, fracasso da inclusão de surdos e de paralisados cerebrais, dentre outros. Pode-se especular e teorizar ad nauseum. No final das contas, o que realmente interessa para quem padece do problema é que ele seja resolvido. Quando você tem um problema mecânico e seu carro para na avenida na hora do rush você não quer que o mecânico especule sobre as coisas: quer que ele faça seu carro pegar e o tire do sufoco. Quando você tem uma forte dor incapacitante, você não espera de seu médico preleções problematizadoras sobre o mundo. Tudo o que você espera dele é diagnóstico preciso e resolução do problema. Embaraçosamente tolo é o aluninho que acredita que o psicólogo deva “problematizar” as coisas. No mundo real, o que não falta são problemas. O que falta são soluções. Quem é competente pesquisa em busca de encontrar soluções cada vez mais eficazes. Só os tolos e incompetentes é que acreditam em “problematizar”. Precisamos de pesquisa científica em educação e saúde capaz de orientar políticas públicas de modo embasado sobre alfabetização e prevenção de fracasso escolar, sobre educação de surdos, sobre prevenção e tratamento de dislexia, sobre prevenção de distúrbios de comportamento e desenvolvimento, sobre prevenção e tratamento eficiente de seqüelas de lesões cerebrais, dentre tantas áreas completamente carentes de psicólogos competentes.
São apenas alguns exemplos de áreas relevantes nas quais o psicólogo não tem trabalhado e nas quais existe uma demanda muito grande por psicólogos. São áreas em que há possibilidade para o profissional de satisfação, de desenvolvimento de auto-estima, de ter lugar no mundo, de ser uma pessoa produtiva, de ser uma pessoa que muda o mundo e contribui para que ele melhore. Se os psicólogos trabalhassem nessas áreas eles teriam mais satisfação pessoal e profissional, minorariam o fardo nas pessoas que padecem desses problemas, e ajudariam a projetar uma imagem de Psicologia muito mais desejável e respeitável para a população em geral. Alheio a essa forte demanda de mercado mais amplo e falhando em atendê-la, o profissional de psicologia continua se privando de uma forte fonte de satisfação intelectual, profissional, emocional e espiritual, e, obtusamente concentrado num mercado saturado das mesmas pequenas e batidas coisas, continua vivendo de migalhas ao pé da mesa, enquanto o banquete está logo, um pouco mais acima, ali à sua espera.


CientificaMente – Você está apresentando uma visão muito diferente do que os psicólogos têm feito, que é se dedicar mais a casos individuais, na clínica particular, por exemplo, e não a gerais, como políticas públicas ou problemas apresentados por grande número de pessoas. Nessa sua proposta, como ficariam os casos individuais?
Capovilla – Os casos individuais se beneficiam muito de políticas públicas para atender a população de maneira geral. Por exemplo, existem serviços de atendimento a crianças disléxicas, mas eles estão abarrotados de crianças que simplesmente não foram alfabetizadas, que simplesmente foram mal-educadas. As crianças disléxicas que têm um problema constitucional, de alteração anatômica do cérebro, têm de competir com uma legião de crianças que não têm qualquer anomalia neuroanátomofuncional, mas que simplesmente não tiveram a oportunidade de aprender a ler e a escrever. Se adotarmos políticas públicas eficazes de alfabetização, desafogaremos o sistema público de atendimento dessas crianças e ao mesmo tempo o sistema de ensino. As escolas no Brasil estão infladas de crianças multirrepetentes, assim as classes estão superlotadas, os professores sobrecarregados e mal pagos. Os professores ficam insatisfeitos com seu trabalho, as escolas são depredadas, enfim, isso contribui para o caos. Quando políticas públicas passam a ser orientadas cientificamente a partir da descoberta de como alfabetizar as crianças, as iniciativas particulares de sucesso na alfabetização passam a estar disponíveis para todos. Temos de passar a premiar os acertos e descobrir o que é que está sendo feito por quem produz bons resultados. Se descobrirmos como melhor alfabetizar crianças, poupamos muito fracasso, muita perda de auto-estima, muita depredação, muito sofrimento humano. Essas são coisas com as quais psicólogo trabalha, mas ele deve saber que seu paciente não está no vácuo, no vazio. Ele é um paciente situado e datado, que pertence a uma sociedade. Nós, psicólogos, podemos ter uma atuação na sociedade. Uma vez satisfeitas as necessidades nomotéticas, ou seja, gerais, as idiossincráticas poderão ser trabalhadas com maestria. Porém da forma como estamos fazendo, estamos tratando os pacientes como se eles não vivessem num contexto, e aí o trabalho é perfumaria. É um trabalho que mal arranha a superfície do problema, não resolve nada. Quando políticas públicas conseqüentes estiverem em ação, as crianças disléxicas terão tratamento preventivo e remediativo específicos. Especialização é imprescindível. O psicólogo tem ambição demasiada e esforço mal direcionado e insuficiente. Ou se esforça muito mais para manter a sua ambição ou então desce do pedestal, percebe que o escopo de problemas que ele vai ser capaz de resolver é bem menor, assume com humildade que não sabe resolver certos problemas e aí se põe a resolver os problemas aos quais ele se dedica a pesquisar e a estudar. Por exemplo, somos procurados constantemente para resolver problemas de crianças que fracassam na escola. Só aceitamos se pudermos avaliar os colegas de classe dessa criança, porque isso nos dá o parâmetro do que é normal para aquela amostra de crianças, de tal sorte a compreender mais adequadamente a queixa da professora em relação ao aluno. Quer dizer, ele tem um desempenho que chamou a atenção por ser muito fraco, deve ter algum problema. Mas como receber essa criança na clínica sem antes saber o que os colegas dele sabem como pano de fundo, linha de base, para compreender o desvio dele em relação aos seus colegas. Essa informação é indispensável para saber se, de fato, essa criança tem um problema de natureza biológica. Não devemos usar normas da população de classe média, ou média alta ou estrangeiros para avaliar o desempenho dessa criança. Precisamos saber sobre o seu ambiente. O psicólogo lida com os pacientes de maneira honesta, real, verdadeira, profunda. Entendendo o contexto, ele pode compreender a natureza do problema do paciente. E isso é satisfazer os dois lados, ou seja, levar em consideração variáveis de natureza não apenas antropológica, social e cultural, como também variáveis de natureza psicológica. As últimas não existem no vazio, somente no contexto das primeiras. Embora você nem sempre possa intervir e resolver problemas de natureza social, quando puder, deve fazê-lo. A primeira coisa que o psicólogo deve fazer é lidar com políticas públicas de educação e saúde e descobrir como melhorá-las e aperfeiçoá-las para minorar o sofrimento, de tal forma que aqueles que chegam à clínica são efetivamente casos clínicos, e não casos de fracasso por falta de oportunidade de aprender. A educação previne, impede que a criança fracasse. As crianças que não prosperaram em um sistema escolar bem organizado, são crianças que merecem a atenção do psicólogo clínico. Assim, precisamos, antes, organizar esse sistema escolar. Precisamos fechar a torneira para, então, poder enxugar o chão.

CientificaMente – Você está dizendo que o psicólogo nunca deve deixar de estudar e pesquisar...
Sem dúvida. Estudar e pesquisar sempre. Educar-se a partir da evidência científica, orientada metodologicamente, pela psicologia experimental e estatística. Porque os problemas são muito complexos e a especialização é uma necessidade. Quando você se dá conta da complexidade da mente humana, da arquitetura cognitiva e tudo aquilo que pode dar errado, você percebe que intervenção preventiva e de reabilitação é briga para cachorro grande. É uma área para gourmet intelectual, porque é necessário devorar muito dado científico, muitos estudos. Extrair tudo aquilo o que a ciência já sabe, e então, uma vez descobertos os limites do que a ciência já descobriu sobre os casos que nós atendemos, é necessário pegar o touro pelos chifres, ou seja, delinear pesquisas científicas para descobrir aquilo que ninguém mais sabe. Fazemos isso direto com Libras, por exemplo, com crianças surdas. Elas produzem tantas paralexias, tantas paragrafias, que ninguém mais é capaz de explicar. O que noz fazemos é descobrir a natureza dessas paralexias e paragrafias para evitá-las, descobrimos o que elas nos ensinam sobre a mente humana. Suponhamos que você deseje estudar como surdos compreendem provérbios escritos, por exemplo. Antes de fazer isso, você terá de ter como avaliar o nível de raciocínio não verbal e verbal no surdo, seu nível de vocabulário receptivo em Português e Libras, sua competência de leitura e compreensão de textos, e assim por diante. Ou seja, há muito trabalho prévio de base a ser feito antes que possamos conduzir pesquisas mais sofisticadas, e o spciólogo tende a se esquecer disso. Para que possamos produzir resultados eficientes é necessário cobrir os problemas de base. Só conseguimos entender as paralexias e paragrafias depois que tivermos testes de desenvolvimento normal de língua de sinais. Muitas competências devem ser avaliadas antes de aplicar um instrumento dessa natureza, provérbios em surdos, por exemplo, que isso é só um dos exemplos que podemos dar do que o psicólogo tem de fazer. Ele tem que fazer muito trabalho de base antes disso. Por exemplo, quase todo mundo avalia funções cognitivas das pessoas por meio de figuras. Porém, quão adequadas são essas figuras? Há tantas pesquisas a serem feitas para que nós possamos ser cada vez mais eficazes, e é tudo isso o que o psicólogo precisa fazer. O psicólogo precisa estudar a língua, as figuras que usa para avaliar e intervir, precisa estudar a melhor ordem de intervenção, a leitura orofacial, a memória fonológica, qual é o léxico necessário para que uma criança consiga ler um jornal médio, enfim, são tantas variáveis que você precisa estudar antes de prestar um serviço... Por exemplo, no serviço de atendimento a afásicos eles colocam os afásicos para conviver, mas efetivamente que tipo de intervenção eles fazem? Há tantas coisas a serem descobertas para que nós possamos começar a ser eficazes para os pacientes... Outro exemplo é a isquemia. São muito comuns acidentes vasculares isquêmicos, que deixam seqüelas terríveis que poderiam ser prevenidas com medicações ministradas logo depois da isquemia. No primeiro mundo, quando um paciente tem isquemia, imediatamente ele recebe essa medicação. No Brasil, as pessoas ficam horas na fila, e aí vêm todas as seqüelas. O sistema público de saúde gasta depois muito com esses pacientes para não produzir quase nenhum efeito. Então isso é falta de política pública em saúde e é uma coisa em que o psicólogo precisa trabalhar. Lidando com pacientes com lesões cerebrais pode-se constar que não ficam seqüelas quando são administrados os medicamentos. A pesquisa científica deve dar origem a mobilização e atuação social e política, como vemos em associações de surdos, de pacientes com doenças neuromusculares, com pessoas amputadas, e assim por diante. Da mesma forma, dislexia é perfeitamente passível de prevenção a um custo muito baixo. Porque temos tanta educação de jovens e adultos? Porque o ensino regular falha em alfabetizar competentemente na idade certa, e aí depois o sucesso é muito menor, e o custo, muito maior. Isso é falta de política pública. E o psicólogo se omite de auxiliar o governo a gerar melhores políticas públicas. Sem pesquisa científica o psicólogo é um ser muito irrelevante. Ele deveria se envergonhar da falta de participação social. O psicólogo é muito mais que um mero cidadão ou uma pessoa de bom senso, ele tem de fazer uso do conhecimento científico para descobrir o melhor caminho para orientar políticas públicas em educação e saúde, para minorar o sofrimento das pessoas. Sou da época em que tínhamos estudo sobre os problemas brasileiros, considerada uma disciplina do governo militar, mas nele estudávamos esse tipo de coisa. De alguma forma perdemos nossa noção de civismo, nos tornamos inconseqüentes e quase irrelevantes. Mas há um grupo crescente de estudantes e psicólogoa que pretende fazer parte da solução, e não do problema. Esse grupo vem acusando os erros da psicologia brasileira com o objetivo único de retificá-la e edifica-la em bases mais científicas e humanitárias. Mas é preciso ter muita coragem e retidão para isso, pois estamos mexendo com modelos que, embora desacreditados mundialmente, ainda são dominantes por aqui. A psicologia brasileira tem de entrar nos eixos. Está muito, muito mal das pernas. Iniciativas recentes do Conselho de Psicologia são meritórias com relação aos testes, por exemplo, porque descredenciam instrumentos inadequados, que se propõem a avaliar e que não têm nenhuma base científica, nenhuma consistência metodológica. A mesma coisa que se faz com esses instrumentos de avaliação psicológica deveria ser feita nos instrumentos de intervenção psicológica. É apenas a partir da avaliação sistemática que se pode descobrir se uma intervenção funciona e em que medida e para que casos.
A vida é muito mais do que a nossa mera carreira, e ainda que sejamos perseguidos por falar a dura verdade, é uma questão de princípios. Uma das coisas que eu recomendaria para a psicologia é uma maior responsabilidade cívica, maior compromisso moral e ético para que possamos transcender as limitações da nossa psicologia comezinha. O que é a verdade? Verdade é aquilo que não é a falsidade, e como descobrimos o que é falsidade? Por meio da ciência. A ciência desmascara asserções universais falsas. Popper demonstrou claramente, é para isso que serve a ciência. O que é falso? Asserções universais que são refutadas. A verdade tem a ver com a ciência, se não tivesse eu não gastaria meu tempo precioso em ciência. A verdade é, por definição, a antítese da falsidade. E a falsidade está aí para ser desmascarada pela ciência, que deve refutar hipóteses falsas. Você descobre o que não funciona, e aí você sabe que seu conhecimento sobre o que funciona é provisório, mas pelo menos o que não funciona você desmascara. É necessário que a psicologia comece a levar a realidade em consideração, ou seja, que ela tenha um pouco mais de bom senso.

22 comentários:

Ceminha disse...

Olá Isabelle,

Adorei a entrevista do professor e bastante significativa para nós graduandos em Psicologia, precisamos esclarecer determinadas questões relacionados ao nosso cotidiano!

Um abraço

apl disse...

Olá...gsotei muito da entrevista, sou Pedagoga e iniciei minha pós em Educação Especial e Inclusão Educacional, paralelamente faço curso de Libras aqui pelo meu município. Mas, estou encontrando muitas dificuldades, em materiais para meu estudo.
Dislexia é de fato um problema que atinge as crianças e que os professores não tem conhecimento de como trabalhar em sala de aula, e os profissionais preferem mistificar do que tratar,logo vemos a falta de informação que temos aqui. Gostaria de saber mais sobre a paralexia, já que apenas encontrei alguns estudos na internet. Se alguém puder me auxiliar, ficarei grata!!
Obrigada...

Fernando Capovilla disse...

Olá Isabella,
Muito sucesso para você!

Olá Ceminha,
Que bom que gostou! Fico muito feliz por ter ajudado. Continue o bom combate!

Olá APL,
Que bom! Pedagoga, pós em Educação Especial, cursando Libras. Parabéns! Talvez as abaixo referências possam ajudá-la. Bom trabalho!
http://fernandocapovilla.blogspot.com/
http://br.geocities.com/lance_capovilla/publicacoes.htm
http://books.google.com.br/books?id=HV77emkREiUC&pg=PA525&lpg=PA525&dq=f%C3%B4nico+capovilla&source=bl&ots=zl9xbNMevf&sig=D5q56o-fKYzUTgtt-3K2DamWQvk&hl=pt-BR&ei=pPttStudH4yvtgfuqIGJDA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=10
http://books.google.com.br/books?id=qyoMWDNSkq8C&pg=PA675&lpg=PA675&dq=f%C3%B4nico+capovilla&source=bl&ots=wEYp_60iKi&sig=40KOGcCAxVSZ_ZiDPcAZfPIvRjc&hl=pt-BR&ei=7fxtSuPOF8SktgeAroCJDA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=2
http://books.google.com.br/books?id=WeBuVWqXFRYC&pg=PA859&lpg=PA859&dq=fernando+capovilla&source=bl&ots=j4LP7khTjp&sig=znYmFXPF-erYAa_Vw1rjW-M09vM&hl=pt-BR&ei=hQNuSvveI4KItgfSjv2IDA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=3
http://br.geocities.com/lance_capovilla/publicacoes.htm

Patricia disse...

Prezado Fernando Capovilla,

sou fonoaudióloga, profª do curso de graduação em Fonoaudiologia da UNESA - RJ.
ao adquirir material publicado pela MEMNON sobre a PCS, muito me interessei em adquirir as provas de consciência fonológica por produção oral e por escolha de figuras, assim como os testes de compreensão de leitura de sentenças, de competência de leitura de palavras e pseudopalavras, prova de escrita sob ditado, prova de leitura em voz alta, teste de vocabulário por figuras USP e a lista de avaliação de vocabulário expressivo.
Gostaria de desenvolver um projeto na comunidade carente vizinha à universidade, com os alunos da clínica-escola.Enviei e-mail para um endereço q retornou, por isso tento esta opção de contato
Att.,
Patrícia Santoro

Fernando Capovilla disse...

Olá colega Patrícia,
Obrigado pela sua mensagem.
A prova de consciência fonológica por produção oral PCF-O encontra-se publicada na íntegra com normas e tudo no livro PROBLEMAS DE LEITURA E ESCRITA (Capovilla & Capovilla, 2009, já na 6a. edição, editora Memnon). A PCF-F (por escolha de figuras) vai a prelo nos próximos meses. O teste de compreensão de leitura de sentenças TCLS encontra-se publicado na íntegra num capítulo de 600 pp. no volume 3 da Enciclopédia da Libras (Capovilla & Raphael, 2005, publicado pela Edusp). As normas para ouvintes estão publicadas em diversos artigos (ver meu Lattes por favor, sim? grato!). O Teste de competência de leitura de palavras e pseudopalavras TCLPP encontra-se publicado na íntegra num capítulo de 600 pp. no volume 1 da Enciclopédia da Libras (Capovilla & Raphael, 2005, publicado pela Edusp). As normas para ouvintes estão publicadas em diversos artigos (ver meu Lattes por favor, grato!). A prova de escrita sob ditado PESD-PP encontra-se publicada na íntegra com normas e tudo no livro PROBLEMAS DE LEITURA E ESCRITA (Capovilla & Capovilla, 2009, já na 6a. edição, editora Memnon). O teste de leitura em voz alta encontra-se publicado na íntegra com normas e tudo no livro PROBLEMAS DE LEITURA E ESCRITA (Capovilla & Capovilla, 2009, já na 6a. edição, editora Memnon). O teste de vocabulário por figuras USP para surdos encontra-se publicado na íntegra num capítulo de 600 pp. no volume 2 da Enciclopédia da Libras (Capovilla & Raphael, 2005, publicado pela Edusp). A versão para ouvintes já está plenamente normatizada e vai a prelo nas próximas semanas. A lista de avaliação de vocabulário expressivo LAVE encontra-se publicada na íntegra no vol 1 no. 1 do periódico Ciência Cognitiva, disponível ara consulta e fotocópia na biblioteca do Ipusp.
Fico muito feliz em saber que esse material está sendo útil em seu trabalho de pesquisa e docência. Há ainda muitos outros testes desenvolvidos que estou disponibilizando nos próximos meses(por exemplo, o Teste de Memória de Trabalho, Capovilla & Thomazette, 2009, a ser publicado logo logo pela Casa do Psicólogo).
Abraços fraternos,
Fernando Capovilla

Camila Monteiro disse...

Caro Professor Fernando Capovilla,
òtima a entrevista, muito esclarecedora. Sou Psicóloga e Psicopedagoga, gostaria de saber mais sobre o Teste de Vocabulário por Imagens Peabody (Capovilla & Capovilla, 1997). Encontrei uma publicação na rede sobre a validação do teste. Onde posso obter mais informações? Como posso adquirir o teste para avaliar meus pacientes?
Agradeço desde já.
Atenciosamente,
Camila Monteiro
Psicóloga
Psicopedagoga
Terapeuta de Família

Fernando Capovilla disse...

Olá Camila.
Grato pela mensagem.
Se entrar em meu cv Lattes no site do CNPq (www.cnpq.br) encontrará centenas de referências aos mais variados testes que desenvolvi. Para avaliação normatizada e validada de vocabulário auditivo, além do Peabody, temos o TVF-Usp, que é mais prático. Está no prelo agora, mas pode ter acesso a ele em minhas aulas de pós aqui na Usp como ouvinte. Universidade pública e gratuita existe para isso: desenvolver tecnologia de ponta para resolver problemas sociais a custo zero. Abraços,
Capovilla

luiz_alberico disse...

Estou satisfeito com as discussões levantadas, sou interessado em aprofundar meus estudos sobre a neuropsicologia cognitiva, mais exatamente sobre a aquisição da língua de sinais -Libras, tanto por ouvintes como pelos surdos. Tenho aprofundado e direcionado meus estudos para a cognição visual através da descrição visual sinalizada como ferramenta estimulatória da plasticidade cerebral diante da especificidade da surdez. Aguardo maiores contatos para melhor mediar estas discussões.
Sou professor de Libras da Universidade de Pernambuco.
atenciosamente
Luiz Albérico Barbosa Falcão

vania disse...

Olá , achei sua entrevista esclarecedora e animadora! Tenho um filho de 12 anos, que é especial e está silábico- alfabético segundo a fono, mas falta algo, uma visão mais ampla e esclarecedora como a que venho percebendo em suas entrevistas.Acho sinceramente que fata um profissional que faça a diferença, já que a escola regular, apesar de muito acolhedora, não dá conta desta área... Gostaria muito de encontrar mais caminhos, ou como disse, profissional que realmente siga suas diretrizes!
Muito obrigada,
Vania

Educação é tudo. disse...

Adorei a entrevista. Sou suspeita, pois simplesmente adoro tudo que Fernando Capovilla faz, fala ou escreve. Sou psicopedagoga clínica e atualmente estou atuando em sala de aula, com alunos do 2º ano ( séries iniciais)e utilizo o método fônico como ferramenta para alfabetizar meus alunos, com excelentes resultados..

fernando disse...

Olá Professora Leila! Muito obrigado pela sua generosa mensagem! Fico muito feliz e realizado em saber que você tem obtido resultados excelentes com suas crianças usando o nosso método fônico! É isso mesmo! Ele é poderoso e eficaz! Parabéns!!! Continue sendo sempre essa professora envolvida, dedicada, competente! Forte abraço, Fernando Capovilla

fernando disse...

Olá Sra. Vânia. Você tem toda razão: Faltam profissionais. Mas a consciência é crescente. Cada vez mais profissionais e professores fazem uso do método fônico para prevenir dislexia na educação infantil e para alfabetizar competentemente na primeira série do ensino fundamental. Continuemos trabalhando para garantir um futuro cada vez melhor para nossas crianças. Elas merecem! Abraço forte, Fernando Capovilla

fernando disse...

Olá Luiz! Temos muito material novo a respeito, que está prestes a ser publicado no novo Tratado e no novo Compêndio. Abraços. Fernando Capovilla

JOSIMAR SAMPAIO disse...

ACABEI DE VER SUA ENTREVISTA HJ,26SET2011, NA GLOBO NEWS, ACHEI MUITO INTERESSANTE O TRABALHO Q O SR. REALIZA EM FAVOR DESTA COMUNIDADE. A DIAS VENHO DESENVOLVENDO A IDÉIA DE CONSTRUÇÃO DE UM APARELHO Q MUITO AJUDARIA AOS SURDO E AOS SURDO-MUDOS E CREIO Q MUITO PODERIA AJUDAR.Ñ É APARELHO AUDITIVO.
AGUARDO CONTATO PARA PODER DETALHAR O PROJETO.

Lilica disse...

Boa tarde Dr. Fernando,

Sou professora na rede estadual de São Paulo, e nesse ano estou lecionando Língua Portuguesa no ensino fundamental II e temos nas salas muitas crianças com dificuldade de aprendizagem. E infelizmente não temos suporte na rede, por isso estou buscando orientação. E ouvi o senhor dizer em uma entrevista sobre multiplicadores, existe essa orientação para os professores ministrada na USP? Desde já agradeço, e toda ajuda será muito aproveitada para que eu possa ajudar essas crianças.

Muito obrigada!

Joceli Mantovani disse...

Professor Fernando, bom dia! Meu nome é Joceli, sou estudante de Jornalismo e estou cursando o último semestre. Eu e mais quatro colegas estamos desenvolvendo um projeto, nosso TCC, onde estamos abordando o seguinte tema: LIBRAS - UMA NOVA PERSPECTIVA DE COMUNICAÇÃO, no qual entraremos em debate sobre a inserção de intérpretes de libras nos programas jornalísticos da TV brasileira. Sabemos que o senhor é um mestre nos estudo da Língua de Sinais e gostaríamos de contar com a sua preciosa ajuda. Sabemos que o senhor é muito ocupado, mas existe a possibilidade de agendarmos uma entrevista com o senhor? Ficaremos agradecidos, pois sabemos que a sua ajuda enriquecerá o nosso trabalho. Desde já agradeço e aguardo anciosamente. Obrigada.

Joceli Mantovani disse...

Professor Fernando, bom dia! Meu nome é Joceli, sou estudante de Jornalismo e estou cursando o último semestre. Eu e mais quatro colegas estamos desenvolvendo um projeto, nosso TCC, onde estamos abordando o seguinte tema: LIBRAS - UMA NOVA PERSPECTIVA DE COMUNICAÇÃO, no qual entraremos em debate sobre a inserção de intérpretes de libras nos programas jornalísticos da TV brasileira. Sabemos que o senhor é um mestre nos estudo da Língua de Sinais e gostaríamos de contar com a sua preciosa ajuda. Sabemos que o senhor é muito ocupado, mas existe a possibilidade de agendarmos uma entrevista com o senhor? Ficaremos agradecidos, pois sabemos que a sua ajuda enriquecerá o nosso trabalho. Desde já agradeço e aguardo anciosamente. Obrigada.

Isabella Bertelli disse...

Joceli, não sei se o professor ainda acompanha esses comentários, sugiro que você mande um e-mail para ele.

fernando disse...

Olá Isabella, Claro que continuo acompanhando seu excelente trabalho! Ontem, hoje, e sempre. Abraço grande. Fernando Capovilla
(PS: Responderei a Joceli via email. Grato.)

amanda disse...

Professor Fernando,
Acabo de conhecer o seu trabalho após algumas de minhas buscas na internet por um profissional para avaliar minha filha. Ela foi diagnosticada há 1 ano portadora do DPAC e vem tratando com fonoaudióloga, o que lhe trouxe bons resultados em pontos específicos. Porém ainda tem dificuldade em se expressar, na linguagem de modo geral (ouvir e reproduzir), interpretar enunciados de problemas de matemática da escola, etc. Seria isso dislexia? Procuro aflita por um profissional especializado pois ela fará já 7 anos e sei que é quando termina o pico da plasticidade neural, correto? Nem sei qual especialidade procurar. Ate agora só a levei no pediatra geral e na própria fono que vem tratando o DPAC. Levarei ela esta semana pela 1a vez no neuropediatra. Nunca a levei em neuropsicologo. Agradeceria muito se pudesse me indicar uma clinica para leva-la em consulta. Pode ser particular. Muito obrigada! Amanda

Inez disse...

Olá Isabela e Fernando Capovilla,
Adorei a entrevista.
Moro em Angola, África, na cidade de Luanda. Sou brasileira e aceitei dirigir uma escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental aqui. Sendo este o primeiro de ano de funcionamento da escola, ao receber os 200 alunos matriculados, descobri que 70% deles era analfabeta. Iniciei então um trabalho de conscientização dos professores para alfabetizar os alunos nas 6 classes e usei o método Fônico do livro do Capovilla. Preciso falar com ele pois estou para apresentar este trabalho como Case de sucesso às autoridades de ensino local e disponibilizar nossa ajuda para todas as escolas públicas da região. Preciso então do email do Capovilla para contar a ele este caso e saber se ele tem interesse nos ajudar. Tenho tentado achar um meio de falar com ele mas não consegui. Pode me dar o email dele pode favor?
Agradeço pela entrevista, pois também sou psicóloga.
Muito obrigada,
Inez Martins de Oliveira

Inez disse...

Olá Professor Fernando,
Meu nome é Inez Martins de Oliveira.
Assisti sua aula no Curso do Mackenzie do curso de Fundamentos Cristãos da Educação há uns anos e meu marido era seu aluno, chamado Joubert de Oliveira Sobrinho. Comprei seu livro Alfabetização: Método Fônico e apliquei na escola que dirigia em São Paulo. Agora estou dirigindo uma escola em Angola, Luanda, uma escola cristã privada. No início deste ano recebemos 200 alunos dos quais 70% eram analfabetos. Empreendi então com os professores um esforço para alfabetiza-los com o seu livro e estou colhendo ótimos resutados. Preciso falar com você pois precisamos de mais orientações quanto a alunos com problemas de aprendizagem, fora os problemas de pobreza cultural que enfrentamos aqui. Estive no Brasil em março deste ano e não consegui comprar seus livros pois a Ed. Cultura não tinha prazo para me entrega-los. Preciso de ajuda sobre os testes que vc menciona em suas entrevistas, e como posso adquirir os livros. Se tiver algum site ou pesquisa aos quais posso ter acesso on line seria muito bom. Já tenho lido algumas entrevistas suas realizadas on line.

Espero colher os frutos finais deste trabalho ao final de setembro, pois fizemos um pacto com todos os professores de não termos nenhuma criança analfabeta ao final do ano. Se isto se concretizar pretendemos levar nossa experiência às autoridades locais de educação e apresenta-las como um case de sucesso que poderá ser repetido em outras escolas da rede pública. isto não é difícil de ser feito aqui. Gostaria de saber se pode ma ajudar pois preciso de toda literatura que puder acessar.

Preciso também dos livros que já tem à disposição, pois vou comprar daqui e quando for ao Brasil pretendo traze-los. Não temos alunos cegos ou com deficiência visual severa, mas certamente temos outros com déficit de atenção ou no processamento auditivo central. Vc sempre mostra em suas entrevistas como é fácil e de baixo custo diagnosticar estes alunos e posso fazer isto aqui. Sou psicóloga e preciso deste conhecimento para fazer este trabalho aqui com nossos alunos.
Muito obrigada,
Aguardo seu retorno.
Inez Martins de Oliveira
meu email. martanolivie@gmail.com