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domingo, 26 de abril de 2009

Intercâmbio na Uminho – E-learning

A ideia é relativamente simples e muitas universidades já contam com ela. Por que não ter um sistema online de interação entre aluno e professor? O processo de Bolonha prevê a utilização dessa ferramenta, o Blackboard E-learning System. Admirei-me com essa plataforma por todas as possibilidades que ela oferece, tanto ao aluno quanto ao professor. É uma plataforma web de gestão e distribuição de conteúdos acadêmicos, que permite que o processo de ensino-aprendizagem possa ser complementado com esta ferramenta de ensino a distância.




Vamos ver algumas das funções do e-elearning.




Ao aluno
- Visualizar todas as suas notas, não só as finais, como as parciais, assim que o as professor lança no sistema.
- Acessar documentos de cada matéria, como artigos, trabalhos, vídeos, enfim, o material que o professor disponibilizar.
- Receber avisos do professor, por exemplo se ele não puder dar a próxima aula.
- Realizar tarefas e enviá-las pelo sistema.
- Enviar e-mails ao professor.
- Acessar informações sobre cada disciplina em que está inscrito, como dados sobre o professor, sobre o conteúdo.
- Realizar fóruns de discussão, em que o professor pode ser o coordenador, administrando quem tem o direito à fala.
- Enviar trabalhos pelo sistema. Quando o prazo final colocado pelo professor expira, o sistema já não permite o envio do trabalho.
- Há acesso a uma plataforma de procura de artigos e material acadêmico.
- Há um calendário, separado por dia, semana, mês e ano, em que o aluno pode organizar seus compromissos e colocar lembretes.

Ao professor
As funções principais são-
􀂙 Gestão de informação — Informações pessoais, elementos de cursos e documentos, recursos académicos através da web e integração de conteúdos off-the-shelf;
􀂙 Comunicação — Ferramentas de colaboração assíncronas e síncronas incluindo o e-mail, fóruns de discussão e sessões de aula virtual em tempo real;
􀂙 Avaliações — Testes e questionários com feedback automático, notas on-line e registo da participação e progressão nos conteúdos;
􀂙 Controle — Utilitários de gestão para os Docentes, armazenamento de informação e relatórios

- O sistema possui uma ferramenta de análise dos trabalhos dos alunos, em que o seu conteúdo é comparado com o da internet e permite identificar cópias.
- O professor tem acesso às estatísticas de uso do e-learning por cada aluno. Ele pode saber quantas vezes o aluno utiliza o sistema, quanto tempo ele fica, e em quais dias. Também é possível uma estatística de cada turma, em que curvas de uso da plataforma são oferecidas.
- Administrar as discussões no fórum.
-Avisos
Permite visualizar os avisos das disciplinas em que o utilizador participa bem como os avisos institucionais que são de carácter geral e do interesse da comunidade.

-Calendário
Permite a visualização de eventos calendarizados com a data, hora e descrição do evento. Podem ser eventos de carácter geral como uma conferência, um seminário ou particulares adicionados pelo próprio utilizador e só visíveis por ele.

-Tarefas
Lista as tarefas pessoais do utilizador que este inseriu. Pode fazer a sua gestão alterando o estado de cada uma de acordo com o seu
progresso.

-Mensagem de Correio Eletrônico
Permite o envio de mensagens de e-mail para os participantes nas disciplinas das quais o utilizador participa. Pode optar pelo envio para todos os Utilizadores, todos os Grupos de trabalho nas disciplinas, Todos os Professores e a selecção de Utilizadores ou Grupos
distintos.

-Diretório de Utilizadores
Permite listar informações sobre outros utilizadores existentes no Blackboard. Todos os utilizadores aqui só são visíveis porque assim o definiram através da edição das opções correspondentes às informações pessoais.

-Livro de endereços
Permite uma gestão de contatos dentro da plataforma

-Informações Pessoais
Permite editar algumas das informações pessoais do utilizador usadas no âmbito do Blackboard tais como o nome, sobrenome e a atualização do e-mail se necessário. A opção Definir Opções de Privacidade define se os dados pessoais estarão disponíveis para toda a comunidade Blackboard e quais as informações mostradas.

-O Blackboard permite interagir em tempo real com os demais participantes numa disciplina em tempo real recorrendo a ferramentas de colaboração síncrona como a aula virtual e o chat. Cada disciplina tem uma aula virtual e uma área de chat já previamente definidas.

-Através da ferramenta de glossário, é possível enriquecer uma disciplina com a disponibilização de um conjunto de termos pesquisáveis de forma a auxiliar os alunos no domínio dos temas abordados

Existem duas ferramentas ligadas entre si: o Gestor de Bancos de Testes e o próprio Gestor de Testes.

-Os Bancos de Testes são constituídos por grupos de questões classificados da forma lógica e organizada. Podem ser criados quantos se pretenderem. A vantagem da sua utilização consiste na possibilidade de reutilização destas questões para posteriores ou diferentes testes nos mais
variados momentos de avaliação.

-Por sua vez, o Gestor de Testes permite a criação de testes alimentados por questões criadas no momento e especificas para aquele teste ou alimentados por questões (aleatórias ou não) existentes nos vários Bancos de Testes




Como aluna na UMinho tenho utilizado o E-learning, e posso dizer que se trata de uma ferramenta relativamente simples, mas que faz uma grande diferença no ensino, facilitando o contato professor-aluno.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Intercâmbio na Universidade do Minho – Declaração de Bolonha

Ao entrar na Universidade do Minho eu não fazia idéia de que a instituição passava por uma grande reforma, se assim posso dizer. Surpreendi-me com a modernidade da universidade, assim como com a qualidade do ensino em geral. Descobri que muito disso se deve à implementação da Declaração de Bolonha, algo de que nunca havia ouvido falar antes de estar aqui. Interessei-me muito pelo projeto e procurei saber um pouco mais. Aí estão algumas das coisas que descobri.


A Declaração de Bolonha é um projeto que tem como intenção estabelecer normas comuns às universidades européias. De acordo com o site do DGES, Direção Geral do Ensino Superior


(...) esse processo começou em Maio 1998, com a declaração de Sorbonne, e arrancou oficialmente com a Declaração de Bolonha em Junho de 1999, a qual define um conjunto de etapas e de passos a dar pelos sistemas de ensino superior europeus no sentido de construir, até ao final da presente década, um espaço europeu de ensino superior globalmente harmonizado.


A ideia base é de, salvaguardadas as especificidades nacionais, dever ser possível a um estudante de qualquer estabelecimento de ensino superior, iniciar a sua formação académica, continuar os seus estudos, concluir a sua formação superior e obter um diploma europeu reconhecido em qualquer universidade de qualquer Estado-membro. Tal pressupõe que as instituições de ensino superior passem a funcionar de modo integrado, num espaço aberto antecipadamente delineado, e regido por mecanismos de formação e reconhecimento de graus académicos homogeneizados à partida.


Em última instância, o Processo de Bolonha irá desembocar numa harmonização generalizada das estruturas educativas, que asseguram as formações superiores numa Europa de, actualmente, 45 países. Nesse enquadramento, os sistemas de ensino superior deverão ser dotados de uma organização estrutural de base idêntica, oferecer cursos e especializações semelhantes e comparáveis em termos de conteúdos e de duração, e conferir diplomas de valor reconhecidamente equivalente tanto académica como profissionalmente.


As ambições do projeto são –


A harmonização das estruturas do ensino superior conduzirá, por sua vez, a uma Europa da ciência e do conhecimento e, mais concretamente ainda, a um espaço comum europeu de ciência e de ensino superior, com capacidade de atracção à escala europeia e intercontinental.


Os objectivos gerais da Declaração de Bolonha são: o aumento da competitividade do sistema europeu de ensino superior e a promoção da mobilidade e empregabilidade dos diplomados do ensino superior no espaço europeu.


Alguns dos objetivos específicos-

a) Adopção de um sistema de graus académicos facilmente legível e comparável, incluindo também a implementação do Suplemento ao Diploma,


b) Adopção de um sistema assente essencialmente em dois ciclos, incluindo:
um primeiro ciclo, que em Portugal conduz ao grau de licenciado, com um papel relevante para o mercado de trabalho europeu, e com uma duração compreendida entre seis e oito semestres;
e um segundo ciclo, que em Portugal conduz ao grau de mestre, com uma duração compreendida entre três e quatro semestres.


c) Estabelecimento e generalização de um sistema de créditos académicos (
ECTS), não apenas transferíveis mas também acumuláveis, independentemente da Instituição de Ensino frequentada e do país de localização da mesma;


d) Promoção da mobilidade intra e extra comunitária de estudantes, docentes e investigadores;


e) Fomento da cooperação europeia em matéria de garantia de qualidade;


f) Incremento da dimensão europeia do ensino superior.


No seguimento do compromisso político assumido em Bolonha, os Ministros da Educação Europeus reunidos em Praga(s/link), em Maio de 2001, reconheceram a importância e a necessidade de mais três linhas de acção para o evoluir do processo:


a) Promoção da aprendizagem ao longo da vida;
b) Maior envolvimento dos estudantes na gestão das instituições de Ensino Superior;
c) Promoção da atractividade do Espaço Europeu do Ensino Superior.


Em Setembro de 2003, os Ministros responsáveis pela Área do Ensino Superior de 33 Países Europeus, reunidos em
Berlim, reafirmaram os objectivos definidos em Bolonha e em Praga, tendo adicionado:

a) a necessidade de promover vínculos mais estreitos entre o Espaço Europeu do Ensino Superior e o Espaço Europeu de Investigação, de modo a fortalecer a capacidade investigadora da Europa, de forma a melhorar a qualidade e a atractividade do ensino superior europeu.
b) o alargamento do actual sistema de dois ciclos, incluindo um terceiro ciclo no Processo de Bolonha, constituído pelo doutoramento, e aumentar a mobilidade quer ao nível do
doutoramento como do post-doutoramento. As instituições devem procurar aumentar a sua cooperação ao nível dos estudos de doutoramento e de formação de jovens investigadores.


A Universidade do Minho aderiu à Declararaçãode Bolonha e vem implantando o sistema há alguns anos. No site da Uminho há um relatório muito interessante com os resultados da implantação (Relatório de Concretização do processo de Bolonha na Universidade do Minho, 2008).


Ao conhecer o curso de Psicologia daqui, fiquei especialmente admirada com duas coisas- o fato de os três primeiros anos serem o ciclo básico (licenciatura) e os dois últimos, de mestrado, e com o e-learning. Falarei mais do e-learning no próximo post. Ambos são resultado do processo de Bolonha. Ainda não conheço muito bem todas as resolução da Declaração, e ainda estou no início do contato com a Uminho, porém arrisco uma opinião de que Bolonha traz um grande avanço para as universidades européias.



Por outro lado, tenho conhecido algumas críticas à Bolonha. Já vi vários cartazes de protestos de estudantes contra o processo. Conversando com alguns alunos, descobri que há alguma desconfiança sobre o modo como o processo está sendo implantado (seria algo como que às pressas, mal feito). Muitos criticam a desvalorização da licenciatura que seria decorrente do modelo, pois a licenciatura se completa e 3 anos, e não mais em 4 ou 5. Esse tempo não seria suficiente para uma boa formação, na visão de muitos. Outros ainda criticam o mestrado integrado se iniciar tão cedo, pois muitos alunos não teriam ainda a maturidade para escolher uma área. Na visão de muitos, Bolonha vem para servir a uma lógica de números, em que o governo mostra que mais alunos estão se formando na licenciatura, mesmo que não estejam qualificados o bastante para isso. Tratar-se-ia de uma lógica estatística, em que não haveria preocupação com a qualidade, e sim com a quantidade e com um suposto alinhamento entre universidades européias, que pode não levar a lugar algum.